quarta-feira, 20 de abril de 2011

Hitler venceu?

Alto, loiro de olhos claros, bem forte... Quem não procura um namorado assim hoje em dia? Talvez por uma questão de gosto você queira substituir o loiro por moreno. Ou não se importe tanto com músculos... Normal! Gosto é individual, eu sei, mas existe um padrão de beleza imposto ao coletivo e aceitamos mesmo sem ser o nosso individualmente falando. Confuso? Exagero?

Se eu contasse para você que estou namorando um tipo desses descrito na primeira linha, você ficaria no mínimo impressionada com meu feito. E se eu dissesse que sou uma versão feminina só que magra (não forte), você acharia mesmo sem me conhecer que sou linda. Não?


Quem não acha Brad Pitt bonito? Quem não acha Ana Hickman bela? Gisele Bundchen não é top model n° 1 do mundo? Quem ousa dizer que Lady Di era feia? E por aí vai....


Foi incutido no imaginário coletivo que o homem/mulher ideal tem todas aquelas características. E o aceitável tem que ter pelo menos alguma delas... Na prática não é assim! Graças a Deus!!!


O contrário também acontece... Algumas pessoas não procuram alguém assim, mas às vezes tem o ideal de tornar-se assim. Pintam o cabelo de loiro mesmo tendo o tom de pele que não combina. Vão pra academia fazer musculação como condenados e apelam até para bombas por ter o biotipo magro. Parafraseando um professor meu: Nunca vi alguém reclamar: Ai queria ser mais baixo... Ai queria ser mais gordo....


Isso tudo me lembra muito o conceito de raça ariana que Hitler (que o senso comum considera execrável) sonhava em formar na Alemanha, quem sabe no mundo... Esse tipo físico não era o do histórico austríaco que conduziu os alemães a Segunda Guerra, mas o idealizado por ele. Inacreditavelmente o gosto estético de Hitler ainda é o vigente no imaginário coletivo de beleza até hoje... Baseada, única e exclusivamente nessa minha afirmação, me questiono se Hitler venceu...



O bullying está em voga devido aos recentes acontecimentos, mas vale lembrar que ele nasce na dificuldade humana de aceitar o diferente. Se aceitarmos um padrão de beleza (seja o que lembra o de Hitler ou não) e nem sequer refletirmos sobre o fato dele ser coletivo e imposto (não individual/espontâneo) como poderemos combater as agressões aos que são diferentes dele... Esse é o objetivo do texto! Lembrarmos que não devemos aceitar um padrão imposto, devemos aceitar nossos gostos individuais. Respeitarmos a diferença que é a principal característica da espécie humana... Aceitarmos cada um do jeito que é! Sem piadinhas, sem exclusões, sem agressões ...

OBS: Esse texto não tem o intuito de ser preconceituoso. É apenas uma crítica a tentativa de padronização coletiva implícita do que é belo.

9 comentários:

  1. Sim sim... Grande maioria das pessoas tem impressas em seu subconsciente esses modelos de beleza. Sobre o cabelo da Beyoncé, achei legal loiro, não acho que se você é negra, não pode clarear o cabelo, só não se pode exagerar (nosso amigo Michael que o diga!).
    Sou morena, olhos escuros, cabelo enrolado, baixinha... Não, isso não é aqueles textos de acompanhantes do hornal, é só pra mostrar que não me encaixo em nenhuma das caracteristicas padrão, mas ainda assim me acho bonita, sem precisar me matar em academia nem nada.
    VIVA A DIFERENÇA! E NÃO AO PRECONCEITO!

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    Se puder, dá uma passadinha no meu e diz o que achou! Aceito críticas e sugestões
    http://rabiscosaleatorios.blogspot.com

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  2. Obrigada pela leitura e participação no blog!
    Bom, Jéssica eu escrevi esse texto porque vejo muitas discussões sobre bullying na mídia. Condenam as escolas, os alunos ... mas TV não questiona sua própria contribuição. Nas novelas, no show bizz, no cinema, nas propagandas até nos telejornais existe um padrão de beleza ...
    Ninguém discute nos jornais o quanto isso pode influenciar subliminarmente as pessoas...
    Claro que o bullying é um somatório de inúmeras causas, mas isso, em particular, pode ser uma e nem sequer é mencionada na impressa...

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  4. Não acho que o 'loiro de olho claro' seja modelo de beleza em si... Acho que as pessoas citadas são bonitas por outros motivos. Já conheci loiras de olhos claros que não eram isso tudo não. Pelo contrário. Se bem que os meus modelos de beleza, quando criança, eram Michelle Pfeiffer e Patrícia Pillar. hehehe Mas era coisa de criança... Acho que esse biotipo é muito idealizado, mas cansa... E acho que tem muito galã por aí que supera o Brad Pitt em seguidoras e que não segue o modelo. Mas entendo o que você quis dizer (outro dia vi um Brasil Legal, da Regina Casé, que você ia achar "ridículo"... Uma menininha de 10 anos sendo questionada sobre o que imagina pro futuro. E ela dizia que queria um marido nesse biotipo. A Regina Casé questionou... Mas e se ele for inteligente? Você não acha melhor do que esse 'bonito'? A menina: Mas se eu tiver um marido assim, as pessoas vão me elogiar de cara por estar com ele... O inteligente ninguém vai saber. ehehe)

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  5. Triste o comentário dessa menina, mas no fundo ela pode ter razão infelizmente...
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    Quando eu era pequena tb tinha esse biotipo em mente, afinal eu brincava com Barbies, Xuxinhas e uma infinidade de bonecas loiras de olhos azuis... A única boneca mais "brasileira" que eu tinha era a Barbie Roqueira que era mulata de cabelos supervolumosos e cacheados loiros - que eu quis só por ela ser roqueira ...
    Eu não tinha, mas tb existia a Vicky, uma espécie de Barbie de cabelos e olhos pretos (mas essa eu não queria pq eu já era assim... RS)

    Só pra finalizar o momento infância ariana. Me lembro da minha prima (branca, cabelos lisos escorridos e magrela) dizendo: Aí queria tanto trocar de cabelo com a Barbie... E claro sonhávamos em ser Paquitas (1ª/2ª geração) - todas no melhor estilo hitleriano de beleza... RS

    Eu sonhava quando era criança em casar com um loiro, alto de olhos azuis... shame on me! RS

    OBS: A raça ariana tb levava em consideração a inteligência!

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  6. Eu não seria tão categórico ao resgatar a figura de Hitler; a História, como eu bem sei, é escrita por vencedores e hoje só execramos o Hitler porque ele perdeu a Guerra. Não estou defendendo, longe de mim, mas a nossa democracia tem uma virtual igualdade, ironicamente excludente e tão cruel, capaz de selecionar as pessoas mediante padrões. Estes sempre existiram; já houve época em que a mulher magra era considerada feia. De todo modo, os padrões do Capitalismo são nocivos e, infelizmente, não conseguimos superar. Sinceramente, acho impossível! Nós somos os únicos animais que sabem se diferenciar dos outros; nós somos criados em um meio cultural e não há como arrancar toda a nossa formação intelectual dissociando-a do referido meio. Vivemos criticando os padrões, o sistema, a burguesia, e carregamos toda esta bagagem, reproduzimos sem querer as práticas. Afinal, quem não gostaria de ter o corpinho da moda? É claro que o mundo real é outro e nós, simples mortais, nos relacionamos com outros simples mortais... Só que gostamos de admirar o que é belo! Não há mal nisso!

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  7. Eu acho que a discussão poderia ter sido levada para outro lado: por que esses padrões? Por que ser alto, forte e belo? Em que a nossa Natureza influencia nisso? Em que a nossa formação social influencia de igual modo?
    Hitler não tem nada com isso e eu acho que citá-lo aqui pode levar a algum erro. Nós devemos questionar as nossas práticas constantemente, inclusive para saber até que ponto estamos envolvidos, até que ponto norteia o nosso ponto de vista. Não adianta gritar contra o preconceito, pois até isso está virando moda. É bonito dizer que não é preconceituoso, que não segue a moda, que não se importa com padrões. Mas aí já se estabelece outro padrão, do qual muitas pessoas compartilham.
    Certa vez, assisti um musical do Oswaldo Montenegro chamado Filhos do Brasil. Ao final, nos deram papeluchos para opinarmos sobre o espetáculo. Eu aproveitei e escrevi: ''por que não tem gente feia na peça?'' - se eu sou filho do Brasil, eu gostaria de me ver representado lá. Nem todo(a) brasileiro(a) é bonito(a). Alguém respondeu que gente feia não vende - ou algo assim. Eu, ao meu turno, não vou ser hipócrita: mesmo sendo contra padrões de beleza, admiro quem os tenha e até gostaria de me enquadrar neles. O importante é não viver em função disto, está aí a nossa real maneira de resistir!

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  9. Abertas as discussões sobre o por que de altos, loiros e fortes/magras!

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